20.11.05

Educação e desenvolvimento - Geraldo Alckmin



O mundo inteiro corre, e o Brasil patina. Nosso país está sendo atrapalhado pela paralisia da
administração federal, pela alta carga tributária, por um governo que gasta muito e muito mal, além de sofrer uma crise alimentada por escândalos sucessivos.
Os 5,4% de crescimento acumulado do PIB brasileiro, em 2003 e 2004, são ínfimos, se comparados com os 13,5% obtidos pela América do Sul, no mesmo período. Na América Latina, 15 países cresceram mais do que o Brasil, inclusive Cuba, que cresceu 6%, embora isolada do resto do mundo, econômica e ideologicamente. Em 2005, a situação não será melhor. A Cepal estima que o desempenho da economia brasileira será o terceiro pior da América Latina, só ficando à frente de El Salvador e Paraguai, e no mesmo nível da Costa Rica, Equador, Guatemala e Haiti. Essa situação lamentável contraria nossa principal vocação, que é a do crescimento, da geração de trabalho e renda, que é o melhor caminho para a justiça social.
Do início do século 20 até os anos 80, o PIB brasileiro cresceu de 7% a 8% ao ano. Agora, não
podemos mais marcar passo, pois vivemos ambiente econômico favorável, tanto no âmbito internacional, quanto no nacional, que desfruta de uma economia mais sólida, graças à tão-sonhada estabilidade da moeda, obtida pelo presidente Fernando Henrique.
A retomada do desenvolvimento passa obrigatoriamente pela ética, pela eficiência em gerar mais recursos para investimentos e por atenções especiais à educação, que é básica para dar
à nossa juventude condições de acompanhar a acelerada evolução tecnológica e garantir melhores oportunidades no mercado de trabalho. Temos que melhor aproveitar o potencial de nosso povo, investindo na formação profissional. Isso só é possível com um grande trabalho de organização e ampliação da educação básica, aumento de oferta de ensino técnico e tecnológico e fornecimento de uma rede eficiente de ensino universitário de qualidade.
É isso que temos feito no estado de São Paulo, desde a posse do saudoso governador Mário Covas. Nos últimos dois anos, além da USP Zona Leste, que começou a funcionar em 2005 com cursos modernos e inéditos no país, ampliamos vagas nas três universidades estaduais, criamos faculdades de Tecnologia e escolas técnicas, todas voltadas à necessidades de mão-de-obra especializada nas regiões onde elas estão instaladas.
O ensino médio e o ensino fundamental tiveram crescimento sem precedentes no estado. E nossa preocupação não é só com quantidade, mas principalmente com a qualidade do ensino. São Paulo já tem todo o seu corpo de professores com ensino superior completo, graças a um programa que oferece inclusive bolsas de mestrado no exterior, notadamente na Espanha e na Inglaterra.
A boa educação é fundamental para o desenvolvimento. Mas é preciso mais. Precisamos reduzir a carga tributária e as taxas de juros. Além de eficiência nos gastos públicos, precisamos fazer uma reforma tributária que simplifique e diminua os impostos. Também precisamos de uma reforma política, que dê maior representatividade aos partidos, sem o que não haverá condições sólidas para a governabilidade.
Em síntese, o caminho para o desenvolvimento é investir em educação, saúde, saneamento e habitação. É recuperar e ampliar a infra-estrutura, com destinação de recursos para as rodovias, portos e aeroportos. Esta é a bandeira do PSDB, que tem experiência e eficiência comprovadas, portanto tem condições de enfrentar o desafio de recuperar a confiança que os brasileiros sempre tiveram nesse nosso país continental, que tem tudo para ser um grande pais, mais próspero e socialmente mais justo.


* Geraldo Alckmin foi Deputado federal por dois mandatos,
atualmente é governador de São Paulo