26.11.05

Escritos Imorais - Claudio Andrés Téllez

Toda pessoa que se inclina para o Liberalismo ou que se diz liberal-conservador já está cansada de sentir na pele que qualquer coisa que se afaste um épsilon que seja de um posicionamento claramente esquerdista, será automaticamente categorizada como nazista ou fascista pelo senso comum esclerosado por décadas e mais décadas de idiotização uniformizante, promovida pelos formatadores de opinião que preservam a hegemonia ideológica nos meios informativos, culturais e acadêmicos através do apelo emocional, da falsificação histórica, da desinformação sistemática e, naturalmente, da mentira descarada e da sem-vergonhice crônica.

Abordei alguns pontos de contato entre o Comunismo Soviético e o Nazismo em meu artigo “NaziSocialismo” (TELLEZ, 2005), onde nem de longe pretendi esgotar a questão. Entretanto, mesmo diante de suficiente base empírica, a insistência dos simpatizantes do pensamento de esquerda em chamar os que não comungam com suas idéias de nazistas ou fascistas, revela uma intelectopatologia mais profunda. Afinal de contas, quem adota uma postura de adoração fanática por uma ideologia caduca e intrinsicamente inconsistente (sob o ponto de vista lógico), não consegue realizar mecanismos elementares de raciocínio sobre dados básicos da realidade e tem a sua capacidade de intelecção seriamente prejudicada.

Talvez seja oportuno lembrar as palavras de Raymond Aron, que definiu o Marxismo como sendo o “ópio dos intelectuais” (ARON, 1957). Ópio, sem dúvida, não somente porque vicia, mas principalmente porque embota o cérebro e compromete severamente as faculdades intelectuais de seus adictos com o uso prolongado. Eu acrescentaria à definição de Aron: se o Marxismo é o ópio dos intelectuais, é também a maconha dos estudantes universitários e dos professores de colégios.

Salvador Allende, um dos mártires prediletos do esquerdismo latino-americano, tido por quem não conhece o processo eleitoral que o colocou no poder como um socialista “democraticamente eleito” (TELLEZ, 2003), em sua tese de doutorado em Medicina, intitulada “Higiene Mental e Delinqüência” (ALLENDE, 1933), sustenta que a raça influi na criminalidade e atribui aos hebreus a fraude, a falsidade, a calúnia e a usura (BENEGAS-LYNCH, 2005). O anti-semitismo de Allende foi exposto em um livro recente de Victor Farías, intitulado “Salvador Allende: Anti-semitismo e Eutanásia” (FARÍAS, 2005). Além de sua valiosa contribuição para a demolição do mito allendista, Farías também revela outras conexões interessantes entre o Nazismo e o Socialismo: o fundador do Partido Socialista chileno, Marmaduke Grove, recebia pagamentos regulares do Ministério de Assuntos Exteriores nazista e os ministros socialistas do governo da Frente Popular de Pedro Aguirre Cerda no Chile (1938 – 1941), recebiam subornos através da Embaixada nazista em Santiago (FARÍAS, 2005).

O Nazismo e o Fascismo têm claras afinidades ideológicas com o Socialismo, apesar das discrepâncias aparentes nas suas implementações históricas como realidades políticas. As plataformas políticas de Adolf Hitler e de Benito Mussolini, por exemplo, fundiam elementos do Socialismo e do Nacionalismo. O historiador Richard Pipes aponta que “em 1932–33, Stalin ajudou Hitler a chegar ao poder, proibindo comunistas alemães de se aliarem aos social-democratas contra os nazistas nas eleições parlamentares” (PIPES, 2002, p. 93). Ao tomar o partido dos nazistas, Moscou contribuiu para a destruição da democracia na Alemanha e para a implantação do regime totalitário que levou o mundo à Segunda Guerra Mundial.

Para os que insistem em argumentar que a Alemanha Nazista era capitalista e, portanto, “de direita”, já que existia a propriedade privada, Pipes também aponta que “ao contrário da União Soviética, a Alemanha tolerava a propriedade privada, mas a tratava como um bem revogável, em vez de um direito inerente, e a regulava minuciosamente para benefício do Estado” (PIPES, 2002, p. 123).

A União Soviética, além de colaborar para a re-militarização da Alemanha entre 1922 e 1933 (DYAKOV; BUSHEVA, 1995), também colaborou com a Itália fascista no campo naval (PIPES, 2002). Assim, o Comunismo Soviético aproximou-se tanto do Nazismo alemão quanto do Fascismo italiano. O modelo de partido único inspirado na União Soviética era fundamental para a consolidação do Estado Totalitarista (era assim que Mussolini definia seu regime fascista), que controlava todos os aspectos da vida dos cidadãos e que se opunha ferrenhamente a todos os direitos civis, inclusive ao de propriedade.

O totalitarismo, esteja ele sob a roupagem do Nazismo alemão, do Fascismo italiano ou do Comunismo soviético, é sempre igualitarista, isto é, o coletivo é exaltado em detrimento dos indivíduos mediante a supressão da expressão da individualidade por mecanismos coercitivos. Uniformiza-se o povo em nome da construção de uma sociedade “mais justa”, sendo que o que muda entre um caso e outro é apenas o significado da palavra “justa”, existindo sempre um forte apelo para a consciência da nação com o objetivo de destruir a pluralidade dos homens e suprimir as liberdades por meio do terror e da fanatização.

Ao eliminar as diferenças e destruir a liberdade, o totalitarismo não deixa espaço para uma relação entre-os-homens e, com isso, destrói a coisa política (ARENDT, 1999). Devemos lembrar que o dirigismo extremado, o patrulhamento ideológico, a planificação econômica e o coletivismo estão presentes em todos os regimes totalitários.

Chamar um liberal de nazista ou de fascista, portanto, denota ou uma total ignorância dos processos históricos e dos fenômenos políticos, ou então evidencia uma maliciosa tergiversação.

Um exemplo evidente desse tipo de desonestidade é fornecido por Umberto Eco. Em seus “Cinco Escritos Morais” (ECO, 1997), ele lança as iscas perfeitas para apanhar quem gosta de basear-se em conceitos políticos fornecidos por livros de auto-ajuda e tem preguiça (ou incapacidade) de respaldar-se em raciocínios ou argumentações mais substanciais e em análises cuidadosas e isentas de comprometimentos com ideologias que já estão há muito falidas, não só pelo câncer de suas contradições internas mas, principalmente, pelo peso definitivo do julgamento histórico.

O que Umberto Eco faz no seu ensaio “O Fascismo Eterno” (ECO, 1997) é pura imoralidade. Trata-se de uma manipulação do emocional para a categorização como “fascista” de tudo o que contraria as noções do politicamente correto a serviço da ideologia hegemônica. Naturalmente, há quem considere esse tipo de delírios como “demonstrações” de uma pretensa difusidade do Fascismo. Claro, estudos sérios sobre o fenômeno do totalitarismo não são sequer levados em consideração – mas também dificilmente seriam compreendidos por pessoas que, como eu já disse anteriormente, têm a capacidade de intelecção profundamente danificada pelos efeitos do ópio (ou será da maconha?) marxista.

É através da utilização de escritos panfletários como o de Umberto Eco e da ocultação sistemática de seus crimes que, desde as suas origens, as correntes esquerdistas tentam transformar-se (com muito sucesso, por sinal!) em um verdadeiro PUM (Pensamento Único Mundial).



REFERÊNCIAS:

ALLENDE, Salvador. Higiene mental y delincuencia: memorias año 1933. Archivo Facultad de Medicina Universidad de Chile. Santiago, 1933.

ARENDT, Hannah. O que é política. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

ARON, Raymond. L’Opium des Intellectuels. Paris: Calmann-Lévy, 1957.

BENEGAS-LYNCH, Alberto. A propósito de Salvador Allende. Libertad Digital. 05 set. 2005.

DYAKOV, Yuri; BUSHUYEVA, Tatyana. The Red Army and the Wehrmacht: how the soviets militarized Germany, 1922-33, and paved the way for fascism. New York: Prometheus Books, 1995.

ECO, Umberto. Cinco Escritos Morais. Rio de Janeiro: Record, 1997.

FARÍAS, Victor. Salvador Allende: antisemitismo y eutanasia. Barcelona: Áltera, 2005.

PIPES, Richard. O Comunismo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

TELLEZ, Claudio. O golpe de 1970 no Chile. Mídia Sem Máscara. 11 set. 2003.

TELLEZ, Claudio. NaziSocialismo. Mídia Sem Máscara. 10 set. 2005

* Texto/Emtrevista retirada do site: www.midiasemmascara.org