Fundo Perdido. Verdades sobre o FMI - Joelmir Beting
Sim, o FMI é bananeira que nunca deu cacho e merece ser enterrado em esquife de segunda classe no cemitério da retórica universal. O principal ideólogo do liberalismo econômico pós Friedrich von Hayek (1999-1992) anda pegando no pé da burocracia acadêmica do FMI e dos governos que a sustentam desde a crise mexicana de 1994/95.
Para Friedman, o FMI é uma instituição anacrônica e trapalhona. Nasceu torta e já morreu torta. Ela serve apenas para bisbilhotar a gastança de governos devedores e acalmar o sono dos acionistas e dos investidores dos bancos e dos países credores. O Fundo não controla o fluxo de capitais e não coíbe a indisciplina das moedas.
Em ensaios para revistas de prestígio mundial, o "pai" da escola monetarista de Chicago deplora as intervenções do FMI nas portas arrombadas de países em estado de choque. São remendos financeiros que agravam a aflição dos aflitos, submetidos a tratamentos fiscais draconianos.
No caso mexicano, a "ajuda" de 1995 salvou o repatriamento dos dólares emprestados levianamente por bancos e fundos americanos. O mesmo purgante foi aplicado nos estouros da Tailândia, da Coréia, da Indonésia e da Rússia.
No Brasil, lembra Friedman, o FMI inovou: entrou com US$ 42 bilhões em caráter preventivo, tentando desarmar um "ataque global" sobre sua majestade, o real. Deu azar. Bem mais poderoso que o FMI, acabou sendo o calote mineiro de Itamar. Sim, escrevendo certo por linhas tortas, o Napoleão das Alterosas fez mais pelo ajuste cambial no Brasil que o FMI, suposto "senhor das moedas".
Citando recentes "papers" de George Shultz, William Simon e Walter Wriston, o professor Friedman sustenta que o FMI capricha em jogar dinheiro bom sobre dinheiro ruim. Isso tem servido para perpetuar o uso e o abuso do chamado "moral hazard". Seguinte: os governos assistidos podem continuar fazendo as maiores patifarias que o FMI comparece com a fiança sob medida na hora da quebradeira.
Claro, em troca de "cartas de intenção" sobre acordos de austeridade orçamentária que não passam da intenção. Até porque austeridade recessiva, ainda que não necessariamente corretiva.
* Joelmir Beting
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