Milton Friedman e a Política Educacional Liberal - Roberto Antonio Deitos
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Friedman afirma que a intervenção governamental no campo da educação pode ser interpretada de dois modos, que constituirão a base de seus pressupostos para a discussão e formulação de propostas nessa área.
Tomando estes dois pressupostos como referência irá formular proposições sobre educação, instrução primária, secundária e superior e ainda da preparação vocacional e profissional. Analisando esses diversos níveis de educação formula decisões políticas para a sua realização no campo do liberalismo.
Friedman entende que um mínimo de educação geral aos cidadãos contribui de forma razoável para a aceitação de valores que considera indispensáveis para a estabilidade de uma sociedade considerada democrática, leia-se regulada pelo capitalismo e o mercado livre. Essa relação de troca voluntária entre os indivíduos e o mercado necessita de uma base elementar de conhecimento para fazer fluir a troca entre os indivíduos e favorecer a circulação de mercadorias. Mas não admite que esse processo extrapole os limites usufruídos nessa sociedade, considerados estritamente como um substancial “efeito lateral”, defendendo que, apenas relativamente, o ganho social é maior para os níveis mais baixos da instrução onde o governo poderia apresentar subsídios temporários e focalizados, para não gerar prejuízos aos outros indivíduos. Quanto à instrução primária, defende, apenas relativamente, que o subsídio governamental deve ser aplicado em situações justificadas, como famílias necessitadas, por exemplo, para que com isso não interfira intensamente no mercado, prejudicando a ação voluntária individual. Postula, portanto, que a solução para a exigência de um mínimo de instrução e o correspondente subsídio governamental deveria romper com o que denomina de nacionalização das instituições educacionais pelo governo, pois afeta com isso as empresas privadas que atuam nessa área. Para tanto, propõe que;
Em se tratando da instrução secundária, é vista como um valor econômico do indivíduo. Para Friedman, considerando-se a situação apresentada, particularmente, naquele momento nos Estados Unidos, deveria combinar escolas públicas e particulares em direção à desnacionalização das escolas públicas. Desse modo, apresenta como saída, que:
Para Friedman, essas proposições produziriam um conjunto de situações e políticas que poderiam resultar em: 1. aplicação do bônus (cartão bolsa escola, cupom, vale, cédula, cota...) financeiro (custo/aluno/anual) do governo para os pais individualmente escolherem a escola para seus filhos; 2. aplicação do bônus torna-se determinante para o processo de desnacionalização progressiva das escolas;3. a desnacionalização e a permanência das escolas aprovadas com padrão mínimo imposto para o seu funcionamento e a competição entre as escolas existentes, permitiriam que as escolas desnacionalizadas ou “fechadas” fossem vendidas às empresas privadas;4. a aplicação do bônus desobstruiria o excesso de conformidade gerado pela intervenção governamental ao subsidiar educação, deixando de onerar a liberdade individual e o livre mercado;5. a aplicação do bônus financeiro individual permitiria a livre escolha de escolas, que deveriam ser avaliadas por instituições independentes do Estado, inclusive para avaliação dos conteúdos das disciplinas e dos alunos, além do desempenho dos professores, a contratação direta de professores e diminuição da uniformidade salarial, e promovendo reformas desnacionalizantes e privatizantes necessárias ao livre mercado e à liberdade individual. Para a instrução de nível superior não admite a possibilidade de uma nacionalização justificada como em algumas situações, de forma muito restritiva, se poderia admitir para o nível primário. Desse modo, para o que considera uma sociedade livre, a educação superior não poderia ser ofertada pelo Estado. A proposição para superar e disciplinar o investimento governamental em ensino superior passaria pela decisão na qual se deveria entender que,
Com relação à preparação vocacional e profissional voltada para a qualificação dos recursos humanos, entende que,
Friedman admite a intervenção do governo, somente em situações em que uma imperfeição do mercado ocasionasse o subinvestimento em capital humano. Mas argumenta, que a única forma adotada até agora, foi a subvenção dos treinamentos vocacional e profissional financiada pelos impostos comuns, pois o indivíduo, alega, não arcará com nenhum dos custos. Para não ocorrer prejuízo aos outros indivíduos e a subvenção não gerar superinvestimento, a solução, propõe, seria a de que,
As proposições apresentadas por Milton Friedman sustentam um programa de cunho liberal, ordenado política, ideológica e economicamente pela direita, mais conhecido como neoliberalismo. Constata-se o seu vínculo ao liberalismo clássico com nuances e capacidades de mobilização organizacional e gerencial do próprio capitalismo renovado, em dinâmicas articuladas, particularmente, na construção de mecanismos de controle e aprimoramento de instituições e agências reguladoras e controladoras, em âmbito privado, de ações econômicas, político-ideológicas e financeiras que estavam sob ação e controle direto do Estado. Estabelece, ainda, pragmaticamente, como devem ser implementadas diversas políticas, particularmente para a educação, sugerindo um conjunto de ações que estão impregnadas em diversas orientações emanadas dos organismos internacionais, como o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, Banco Mundial e FMI – Fundo Monetário Internacional, e que são sustentadoras dos empreendimentos intensificados nas últimas duas décadas, através dos financiamentos externos para as reformas de ajustes estruturais e setoriais em diversos países.(ver Fiori, 2001; Nogueira, 1999). *Por ROBERTO ANTONIO DEITOS |
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