Modelo de Estado em Crise
Thomas Korontai
Um choque de democracia, constitucionalismo, capitalismo e liberdade
• São, em média, cerca de 9 Medidas Provisórias para cada Lei originada no Congresso – afinal, de quem é mesmo o poder legislar?
• Somos extorquidos por uns 70 tipos de tributos, taxas, impostos, contribuições, que somam perto de 41% do PIB. Cerca de 75% da arrecadação geral é do Governo Federal – um dos nós cegos da centralização do modelo de Estado brasileiro.
• Vivemos num inferno trabalhista, a decisão quase sempre é favorável à “parte mais fraca”, independente dela ter ou não razão, basta sua condição...
• A infra-estrutura – estradas, portos, navegação, ferrovias, viação aérea – só dá notícia ruim, não por falta de recursos, pois existem cerca de R$ 26 bilhões parados (ou sumidos?) em vários fundos cujas “contribuições” são obrigatórias. O Estado cobra cada vez mais ferozmente, mas não faz sua obrigação.
• Taxas de juros mais altas do mundo... Segura-se a inflação, porém a economia que se dane.
• Falta de garantia da propriedade, pois se os militantes dos sem terra, sem teto e sem vergonha invadirem sua propriedade, você deve concordar. Afinal, não é a tal “função social” da propriedade?
• Lentidão judiciária – fora o fato de cerca de 40% da legislação ser inconstitucional e de cerca de 60% dos Ministros do STF serem indicados pelo atual presidente da República, dos inúmeros recursos e instâncias processuais, a lentidão se aprofunda cada vez mais numa estrutura que não se moderniza.
• Insegurança física e patrimonial associadas com a impunidade. Se até a polícia se torna vítima da bandidagem, o Iraque parece mais seguro...
• Degradação ampla, geral. Mais que patrimonial, tecnológica, educacional e financeira da população, vemos a degradação moral, a relativização do que é certo e do que é errado, o fim dos valores pelos quais se fundam todas as sociedades de países com solidez institucional, pontos de degradação que se associam na formação de um quadro nada alvissareiro.
Poderia estender a lista ao infinito. Porém, estes poucos pontos já esclarecem que ao se falar em “fundamentos econômicos” devemos separar os fundamentos de caixa dos fundamentos da economia nacional. É preciso liberalizar e desregulamentar a economia. É preciso desburocratizar o País, e o gargalo está na viabilidade política, travada pela estabilidade das verdadeiras elites do Brasil: o funcionalismo público. Temos inúmeros outros gargalos, como o corporativismo de centenas de setores em centenas de atividades. E falam em uma nova Assembléia Constituinte... seria outra colcha de retalhos. Qual a saída?
Passa por um choque de democracia, constitucionalismo, capitalismo e liberdade, que pode ser feito pela substituição constitucional referendada pelo Povo, com texto pronto e pertinente, já que ninguém quer mexer no seu queijo enquanto a maioria está sem queijo, enquanto o País pertence à essa maioria, que afinal, paga as contas disso tudo. E essa nova Constituição deve ser simples, auto-aplicável, principiológica e descentralizante, federalista, municipalista, real garantidora dos direitos naturais individuais, capaz de sanar todas as conseqüência de cada um dos pontos citados, advindos de uma única e grande causa: o centralismo crônico e doentio do modelo de Estado tupiniquim. O Brasil precisa de uma reengenharia de modelo. Urgente!
* Thomas Korontai
Thomas Korontai é agente oficial e consultor especializado em propriedade industrial (www.komarca.com.br), autor de centenas de artigos sobre propriedade intelectual, federalismo e comportamento, publicados em diversos jornais e revistas. Foi fundador e líder de diversas entidades e movimentos, e autor de ações populares de nível federal. Autor dos livros Brasil Confederação (1993 download gratuito em www.federalista.org.br), É Coisa de Maluco...? (1998) e Cara Nova Para o Brasil - Uma Nova Constituição para Uma Nova Federação, a ser lançado em breve. Propõe o federalismo pleno das autonomias estaduais e municipais desde 1991. Fundador e Presidente Nacional do Partido Federalista (em formação) e Presidente do IF Brasil - Instituto Federalista – www.if.org.br - . Reside em Curitiba/PR
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